O braço de um polvo consegue pensar por conta própria?

O braço de um polvo consegue pensar por conta própria?

Dois terços dos neurônios de um polvo estão localizados em seus braços, permitindo que eles ajam de forma independente.

Com cerca de 500 milhões de neurônios, o polvo possui um sistema nervoso descentralizado. Como 400 milhões dessas células estão nos braços, cada membro pode explorar, sentir e manipular objetos sem depender de comandos do cérebro central. Essa inteligência distribuída permite que os braços continuem reagindo a estímulos externos mesmo se forem separados do corpo.
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O sistema nervoso dos cefalópodes, especialmente do polvo comum (Octopus vulgaris), é um dos mais complexos entre os invertebrados. De acordo com estudos publicados na revista Cell em 2020, o polvo possui aproximadamente 500 milhões de neurônios, uma contagem comparável à de um cão. No entanto, a organização é radicalmente diferente, com apenas um terço dessa massa neural localizada no cérebro central em forma de anel.Os outros dois terços residem em gânglios localizados na base e ao longo de cada um dos oito braços. Essa arquitetura permite o que os cientistas chamam de controle motor incorporado. Cada braço possui autonomia para processar informações sensoriais e executar movimentos reflexos complexos, como abrir conchas ou evitar obstáculos, sem sobrecarregar o cérebro central com dados desnecessários.Pesquisas lideradas pelo Dr. Guy Levy na Universidade Hebraica de Jerusalém demonstraram que os braços utilizam um mecanismo de controle de 'loop aberto'. Isso significa que o cérebro central apenas inicia um movimento global, enquanto os gânglios periféricos refinam a trajetória e a força localmente. Essa descentralização é uma adaptação evolutiva vital para um animal com corpo mole e membros infinitamente flexíveis.A eficiência desse sistema é tão extrema que um braço amputado pode continuar a agarrar objetos e evitar estímulos dolorosos por até uma hora após a separação. Esse fenômeno fascina pesquisadores de robótica e inteligência artificial, que buscam replicar essa computação biológica em máquinas autônomas. O polvo prova que a inteligência não precisa estar concentrada em um único ponto para ser altamente eficaz.
Fato verificado FP-0007583 · Feb 20, 2026

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