Como funciona, na prática, o processo químico da mumificação?
Os antigos egípcios usavam um sal especial chamado natrão para mumificar corpos e impedir a decomposição.
O natrão funcionava como um dessecante poderoso que removia toda a umidade dos tecidos. Sem água, as bactérias não conseguiam sobreviver, o que preservava pele, cabelos e até impressões digitais por milênios. O processo de desidratação durava cerca de 40 dias e demonstrava um conhecimento avançado de química aplicada.
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O natrão é um mineral de ocorrência natural composto principalmente por carbonato de sódio e bicarbonato de sódio. No Antigo Egito, ele era coletado principalmente nos leitos de lagos secos do Wadi El Natrun. Este sal possui propriedades higroscópicas extremas, o que significa que ele atrai e retém moléculas de água do ambiente ao seu redor.Durante o processo de mumificação, que levava um total de 70 dias, o corpo ficava coberto por natrão seco por aproximadamente 40 dias. Estudos químicos realizados em múmias da 18ª Dinastia, como a de Tutancâmon, confirmam que essa técnica removia até 75% do peso corporal em água. A eliminação da umidade criava um ambiente hostil para enzimas e microrganismos que causam a putrefação.Além de secar os tecidos, o natrão aumentava o pH do corpo, tornando-o altamente alcalino. Esse ambiente químico impedia o crescimento de fungos e preservava a integridade estrutural do colágeno na pele. Pesquisas publicadas no Journal of Archaeological Science detalham como essa técnica permitiu que tecidos moles sobrevivessem por mais de 3.000 anos.A eficácia do método é tão alta que pesquisadores modernos ainda conseguem extrair sequências de DNA e identificar doenças antigas através desses tecidos preservados. O uso do natrão não era apenas um ritual religioso, mas uma aplicação sofisticada de princípios de química inorgânica. Essa prática garantiu que a fisionomia de governantes como Ramsés II permanecesse reconhecível até os dias de hoje.
Fato verificado
FP-0007749 · Feb 20, 2026