Como as pessoas sobrevivem no topo do Himalaia sem madeira para fazer fogo?
Nas regiões desoladas do Himalaia, o esterco seco de iaque é o principal combustível para a sobrevivência humana.
Acima da linha das árvores, onde a madeira é inexistente, o esterco de iaque é essencial para cozinhar e aquecer lares. Rico em fibras de gramíneas, esse material queima com calor intenso e produz pouca fumaça. Sem essa fonte de energia natural, a vida em altitudes extremas no Tibete e no Nepal seria praticamente impossível.
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O uso do esterco de iaque (Bos grunniens) como biocombustível é uma prática milenar documentada em estudos antropológicos no Planalto Tibetano, onde as altitudes superam os 4.000 metros. Nessas regiões, a vegetação arbórea é inexistente devido ao clima alpino extremo, restando apenas gramíneas e ervas que compõem a dieta desses bovinos.Quimicamente, o esterco de iaque é composto por cerca de 35% a 45% de celulose e lignina não digeridas, o que confere ao material seco um alto valor calorífico. Pesquisas publicadas na revista 'Fuel' indicam que o poder calorífico inferior do esterco de iaque seco é de aproximadamente 13 a 15 megajoules por quilograma. Isso é comparável a algumas variedades de madeira macia, permitindo que uma pequena quantidade ferva litros de água rapidamente.Além da eficiência térmica, a queima do esterco de iaque é preferida em ambientes fechados por gerar menos fumaça tóxica do que outros tipos de biomassa, como o esterco de vaca comum. Um estudo de 2011 realizado pela Universidade de Lanzhou demonstrou que a estrutura fibrosa do esterco de iaque permite uma oxigenação mais eficiente durante a combustão. Essa adaptação cultural e biológica é o que permite a ocupação humana permanente em locais como o acampamento base do Everest e as aldeias remotas do Mustang, no Nepal.
Fato verificado
FP-0008828 · Feb 20, 2026