Por que usamos navios naufragados da 2ª Guerra para criar tecnologia de ponta?
O aço fabricado após 1945 é levemente radioativo, obrigando cientistas a usar metal de navios naufragados da Segunda Guerra Mundial para criar sensores de alta precisão.
Testes nucleares iniciados em 1945 espalharam isótopos radioativos pela atmosfera terrestre. Como a produção moderna de aço utiliza grandes volumes de ar, essas partículas acabam presas no metal. Embora inofensiva para o uso comum, essa radiação interfere em equipamentos sensíveis, como contadores Geiger e sensores médicos. Para evitar esse 'ruído', a ciência recorre ao 'Aço de Baixo Fundo', recuperado de embarcações afundadas antes da era atômica, como a frota alemã em Scapa Flow.
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A contaminação radioativa do aço começou em 16 de julho de 1945 com o teste Trinity, a primeira detonação nuclear da história no Novo México. Entre 1945 e 1963, centenas de testes atmosféricos realizados pelos Estados Unidos e pela União Soviética liberaram radionuclídeos como o Cobalto-60 na atmosfera global.O processo de fabricação do aço, especificamente o método de Bessemer e o uso de oxigênio básico, força a passagem de ar atmosférico através do ferro fundido para remover impurezas. Esse ar contém partículas radioativas que se ligam quimicamente ao aço, tornando-o permanentemente emissor de radiação gama em níveis baixos.Para instrumentos de medição de radiação e equipamentos de física de partículas, até mesmo esse nível ínfimo de radiação é catastrófico. Por isso, a principal fonte de aço puro é a frota alemã de Scapa Flow, na Escócia, onde 52 navios foram intencionalmente afundados em 1919. Esse metal, protegido pela água do mar das partículas atmosféricas, é essencial para a construção de câmaras de contagem de radiação de corpo inteiro e satélites.Embora os níveis de radiação atmosférica tenham caído drasticamente desde o Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares de 1963, o aço reciclado moderno continua contaminado. A demanda por aço pré-guerra permanece alta em instituições como a NASA e o CERN, que buscam a pureza absoluta para seus experimentos mais avançados.
Fato verificado
FP-0008479 · Feb 20, 2026