Por que os gnus mergulham em rios secos durante a migração?
Durante a migração, os gnus podem saltar em rios completamente secos como se estivessem mergulhando na água.
Guiados por um instinto migratório implacável, os gnus reagem a gatilhos visuais como sombras e relevos. Se as chuvas atrasam e o leito do rio seca, o impulso de travessia é tão forte que eles mergulham no vazio, ignorando a ausência de água.
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A Grande Migração envolve cerca de 1,5 milhão de gnus percorrendo 800 quilômetros entre o ecossistema do Serengeti, na Tanzânia, e o Masai Mara, no Quênia. Esse movimento cíclico é impulsionado pela busca de pastagens ricas em fósforo e nitrogênio, essenciais para a lactação das fêmeas. O comportamento de saltar em leitos secos ocorre devido ao 'comportamento de manada' e a circuitos neurais altamente especializados para a migração.Pesquisadores da Universidade de Glasgow e do Serengeti Lion Project observam que o gnu possui uma percepção visual adaptada para detectar horizontes e movimentos, mas limitada em profundidade e detalhes estáticos. Quando o líder da manada inicia o salto, um efeito cascata é gerado, onde o instinto social de seguir o grupo sobrepõe-se à avaliação individual do terreno. Esse fenômeno é intensificado pelo estresse e pela pressão de milhares de animais empurrando por trás.Estudos ecológicos indicam que as travessias de rios como o Mara são os pontos de maior mortalidade, com estimativas de 6.250 carcaças de gnus depositadas anualmente no rio. A evolução favoreceu indivíduos com impulsos migratórios automáticos, pois a hesitação diante de um obstáculo pode levar à fome ou predação. Assim, o cérebro do gnu prioriza o movimento constante, mesmo que isso resulte em saltos perigosos em ravinas secas que mimetizam visualmente a descida para a água.
Fato verificado
FP-0008133 · Feb 20, 2026