Como as plantas do deserto conseguem "beber" água do ar?

Como as plantas do deserto conseguem "beber" água do ar?

Certas plantas do deserto conseguem extrair água do ar com apenas 30% de umidade.

Espécies como o arbusto-de-creosoto e a Welwitschia possuem folhas com sulcos microscópicos que capturam o vapor de água da atmosfera. Esse mecanismo direciona a umidade para as raízes ou tecidos internos, permitindo a sobrevivência em locais onde outras plantas morreriam de sede.
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A capacidade de capturar água atmosférica em condições de baixa umidade é uma das adaptações mais extremas da botânica. O arbusto-de-creosoto (Larrea tridentata), comum nos desertos de Mojave e Sonora, utiliza uma resina cerosa em suas folhas que não apenas evita a evaporação, mas também facilita a condensação de partículas de água. Estudos da Universidade de Chicago e do MIT demonstram que essas plantas utilizam gradientes de energia superficial para atrair moléculas de água.A Welwitschia mirabilis, encontrada no Deserto do Namibe, na África, é um dos exemplos mais fascinantes desse fenômeno. Ela possui estômatos que permanecem abertos durante a neblina matinal, permitindo a absorção direta de água pelas folhas. Estima-se que alguns exemplares dessa espécie vivam por mais de 1.500 anos, sobrevivendo quase exclusivamente da umidade do ar, já que a precipitação anual na região pode ser inferior a 10 mm.Pesquisas publicadas na revista Nature Communications em 2017 destacam que a estrutura física das folhas, composta por sulcos em microescala, cria um efeito de capilaridade que transporta a água coletada. Esse processo ocorre mesmo quando a umidade relativa do ar está em torno de 30%, um nível crítico onde a maioria das plantas agrícolas entraria em colapso hídrico. Atualmente, engenheiros utilizam esses princípios biomiméticos para criar redes de neblina e materiais sintéticos que ajudam comunidades em regiões áridas a obter água potável.
Fato verificado FP-0004599 · Feb 19, 2026

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