Como os aquários mantêm peixes de águas profundas vivos?
Lulas-vampiro precisam de tanques mantidos entre 2°C e 4°C para sobreviver em cativeiro.
Esses animais vivem em águas profundas e gélidas. Temperaturas mais altas aceleram o metabolismo delas de forma fatal. Para simular o abismo, aquários usam resfriadores industriais e luzes vermelhas, que são invisíveis para a espécie e evitam o estresse.
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A lula-vampiro (Vampyroteuthis infernalis) habita a zona afótica dos oceanos, em profundidades que variam de 600 a 900 metros. Nessa região, a temperatura da água permanece constante entre 2°C e 4°C, e a pressão é esmagadora. O metabolismo desses cefalópodes é extremamente lento para conservar energia em um ambiente com pouco oxigênio.Instituições como o Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI), na Califórnia, realizaram estudos pioneiros para manter esses animais vivos em laboratório. Eles descobriram que qualquer variação térmica acima de 5°C pode causar falência metabólica imediata. Isso ocorre porque as enzimas desses animais são otimizadas para funcionar apenas em frio extremo.Além da temperatura, a iluminação é um fator crítico para o bem-estar da espécie. Como a luz vermelha possui o maior comprimento de onda e é a primeira a ser absorvida pela água, ela não chega às profundezas. Por isso, a lula-vampiro não evoluiu para detectar essa cor, permitindo que pesquisadores a observem sem causar o estresse que a luz branca provocaria.A manutenção desses tanques exige sistemas de refrigeração de alta precisão e monitoramento constante dos níveis de oxigênio dissolvido. Desde a década de 1990, o MBARI utiliza veículos operados remotamente (ROVs) para coletar espécimes sem causar choque térmico durante a subida. Esses cuidados garantem que a ciência possa estudar uma das criaturas mais enigmáticas do planeta sem comprometer sua vida.
Fato verificado
FP-0009858 · Feb 22, 2026