O Saara já foi verde de verdade algum dia?
Há cerca de 6.000 anos, o Deserto do Saara era uma savana verdejante com lagos e animais selvagens.
Durante o Período Úmido Africano, o Saara era repleto de rios e pradarias. Mudanças na órbita da Terra intensificaram as monções, trazendo chuvas para a região. Pinturas rupestres na Argélia provam a existência de hipopótamos e comunidades antigas onde hoje só existe areia.
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O Período Úmido Africano ocorreu aproximadamente entre 14.500 e 5.000 anos atrás. Esse fenômeno foi causado pela precessão orbital da Terra, que alterou a inclinação do eixo do planeta e aproximou o Hemisfério Norte do Sol durante o verão. Esse aquecimento intensificou o sistema de monções africano, empurrando a umidade do Oceano Atlântico para o interior do continente.Estudos realizados pelo Instituto Oceanográfico Woods Hole e pela Universidade de Colúmbia analisaram sedimentos marinhos na costa da África Ocidental. Os dados revelaram que a poeira soprada do Saara era significativamente menor durante esse período, indicando uma cobertura vegetal densa. O antigo 'Mega-Lago Chade' atingiu uma extensão de 350.000 quilômetros quadrados, sendo maior que a área total da Alemanha atual.No planalto de Tassili n'Ajjer, na Argélia, arqueólogos catalogaram mais de 15.000 gravuras e pinturas rupestres. Essas artes retratam grandes mamíferos como elefantes, girafas e crocodilos, além de atividades de pastoreio e caça. Essas evidências visuais confirmam que o Saara sustentava ecossistemas complexos e sociedades humanas prósperas.A transição de savana para deserto ocorreu de forma abrupta há cerca de 5.000 anos. Uma pequena redução na radiação solar desencadeou um efeito de retroalimentação entre a vegetação e a atmosfera. Sem plantas para reter a umidade, o solo secou rapidamente, transformando a região no maior deserto quente do mundo em apenas alguns séculos.
Fato verificado
FP-0004627 · Feb 19, 2026