Por que os javalis alemães ainda são radioativos?
Décadas após o desastre de Chernobyl, javalis na Alemanha continuam radioativos por comerem trufas subterrâneas que absorvem radiação.
Enquanto a radiação em outros animais diminuiu, os javalis sofrem o 'Paradoxo do Javali Radioativo'. Eles se alimentam de trufas-de-cervo, fungos que funcionam como esponjas para o césio-137. Como esse material radioativo leva décadas para penetrar profundamente no solo, ele atingiu o nível das trufas apenas recentemente. Na Baviera, um em cada três javalis ainda é considerado impróprio para o consumo humano.
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O fenômeno é acompanhado de perto por pesquisadores da Universidade Leibniz de Hannover e da Universidade de Tecnologia de Viena. O estudo, publicado na revista Environmental Science & Technology em 2023, revelou que a contaminação não vem apenas do desastre de Chernobyl em 1986. Na verdade, entre 10% e 68% da radioatividade detectada nos javalis bávaros provém de testes de armas nucleares realizados durante a Guerra Fria, nas décadas de 1950 e 1960.O césio-137 e o césio-135 são os principais isótopos envolvidos nesse processo. O césio-137 tem uma meia-vida de cerca de 30 anos e desce pelo solo a uma velocidade de apenas um milímetro por ano. Isso explica por que as trufas do gênero Elaphomyces, que crescem a cerca de 20 a 40 centímetros de profundidade, só agora estão absorvendo os níveis máximos de contaminação de Chernobyl.Diferente de veados ou outros animais que comem plantas superficiais, os javalis cavam o solo em busca dessas trufas, especialmente durante o inverno, quando outros alimentos são escassos. Na região da Baviera, os níveis de radiação em alguns animais chegam a 15.000 becquerels por quilograma. Esse valor é mais de 20 vezes superior ao limite legal de segurança da União Europeia, que é de 600 becquerels por quilograma para o consumo de carne.
Fato verificado
FP-0008537 · Feb 20, 2026