O vácuo pode agir como uma lente?

O vácuo pode agir como uma lente?

Campos magnéticos extremos podem transformar o vácuo do espaço em um prisma que divide a luz.

Perto de buracos negros e estrelas de nêutrons, o vácuo quântico sofre um fenômeno chamado birrefringência. Sob magnetismo intenso, o espaço vazio deixa de ser neutro e passa a agir como um cristal, separando a luz em dois feixes diferentes.
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A birrefringência do vácuo é um efeito previsto pela Eletrodinâmica Quântica (QED) há mais de 80 anos por Werner Heisenberg e Hans Euler. Em campos magnéticos ultrafortes, o vácuo se torna polarizado porque pares virtuais de elétrons e pósitrons se alinham com as linhas de força magnética. Esse alinhamento altera o índice de refração do espaço vazio dependendo da polarização da luz que o atravessa.Em 2016, uma equipe liderada por Roberto Mignani, do INAF em Milão, utilizou o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, para observar a estrela de nêutrons RX J1856.5-3754. Esta estrela está a cerca de 400 anos-luz da Terra e possui um campo magnético trilhões de vezes mais forte que o do Sol. Os pesquisadores detectaram uma polarização linear de cerca de 16% na luz visível emitida pela estrela.Este resultado confirmou que o vácuo não é apenas um nada absoluto, mas um meio que pode ser manipulado por forças físicas extremas. O fenômeno é análogo ao que ocorre em cristais de calcita, onde a luz é dividida em dois raios ao entrar no material. Essa descoberta é fundamental para entender como a matéria e a energia interagem em ambientes de gravidade e magnetismo extremos no universo.
Fato verificado FP-0008719 · Feb 20, 2026

- Física -

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