Por que os necrotérios dos hospitais são mantidos tão gelados?
Necrotérios hospitalares mantêm corpos entre 2°C e 4°C para retardar a decomposição sem congelar os tecidos.
Essa temperatura desacelera a atividade de bactérias e enzimas sem formar cristais de gelo. O congelamento danificaria as células e prejudicaria autópsias ou preparações para o velório. Essa faixa térmica preserva a integridade física do corpo por vários dias, funcionando de forma semelhante a uma geladeira industrial de alta precisão.
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A decomposição humana começa minutos após a morte através de um processo chamado autólise, onde as enzimas digestivas começam a consumir as próprias células. O resfriamento entre 2°C e 4°C é o padrão internacional estabelecido por instituições como a Royal College of Pathologists. Essa temperatura reduz a taxa metabólica dos microrganismos e a velocidade das reações químicas degradativas de acordo com a Equação de Arrhenius.Manter o corpo acima de 0°C é crucial para evitar a cristalização da água intracelular. Quando a água congela, ela se expande e cria pontas afiadas que rompem as membranas citoplasmáticas, um fenômeno que altera a morfologia dos tecidos e dificulta exames histopatológicos. Estudos publicados no Journal of Forensic Sciences indicam que a refrigeração padrão pode preservar um corpo adequadamente por um período de 3 a 5 dias antes que sinais visíveis de putrefação apareçam.Para casos que exigem armazenamento por semanas ou meses, os necrotérios utilizam unidades de congelamento que operam entre -15°C e -25°C. No entanto, o descongelamento desses corpos resulta em perda de fluidos e flacidez excessiva da pele, o que compromete a estética para funerais com caixão aberto. Por isso, o controle rigoroso da temperatura é uma ciência que equilibra a biologia forense com o respeito ético ao falecido.
Fato verificado
FP-0009060 · Feb 20, 2026