Um líquido pode realmente subir pelas paredes?
Perto do zero absoluto, o hélio torna-se um superfluido capaz de escalar as paredes de um copo sozinho.
Ao ser resfriado a -271 °C, o hélio entra em um estado quântico sem viscosidade ou atrito. Isso permite que ele flua livremente por poros minúsculos e suba pelas laterais de recipientes, desafiando a gravidade em um fenômeno visível a olho nu.
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A superfluidade foi descoberta em 1937 pelos físicos Pyotr Kapitsa, John F. Allen e Don Misener, que observaram o hélio-4 comportando-se de maneira incomum abaixo de 2,17 Kelvin, o chamado Ponto Lambda. Nesse estado, o hélio deixa de ser um líquido comum e torna-se um Condensado de Bose-Einstein em escala macroscópica. Como não possui viscosidade, ele não oferece resistência ao movimento, o que significa que não perde energia cinética por atrito interno.Um dos efeitos mais impressionantes é o 'filme de Rollin', uma camada de apenas 30 nanômetros de espessura que se espalha por qualquer superfície que toque o líquido. Devido à tensão superficial e à falta de atrito, o fluido 'escala' as paredes do frasco para encontrar um nível de energia mais baixo fora dele. Se o hélio for colocado em um recipiente aberto, ele eventualmente escapará subindo pelas bordas e pingando pelo fundo até esvaziá-lo completamente.Este fenômeno é fundamental para o estudo da mecânica quântica, pois permite observar comportamentos atômicos em objetos grandes. Em 1962, Lev Landau recebeu o Prêmio Nobel de Física por desenvolver a teoria matemática que explica a superfluidade do hélio. Hoje, essa tecnologia é essencial para resfriar ímãs supercondutores em aceleradores de partículas, como o Grande Colisor de Hádrons (LHC) da CERN, que opera a 1,9 Kelvin.
Fato verificado
FP-0008012 · Feb 20, 2026