Como as salas de cirurgia mantêm o ar livre de bactérias?
Salas de cirurgia usam o fluxo laminar para criar uma cortina de ar purificado que protege o paciente de infecções.
Em salas comuns, o ar circula de forma aleatória e pode carregar micróbios para dentro de feridas abertas. O sistema de fluxo laminar sopra ar filtrado do teto para o chão em uma única direção e velocidade constante. Isso cria uma barreira invisível que empurra partículas e bactérias para fora da zona cirúrgica, mantendo o ambiente estéril durante procedimentos complexos.
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O conceito de fluxo laminar foi introduzido no ambiente médico na década de 1960 pelo físico norte-americano Willis Whitfield, que originalmente desenvolveu a tecnologia para salas limpas industriais nos Laboratórios Nacionais Sandia. Antes dessa inovação, o ar em salas de cirurgia era turbulento, o que facilitava a suspensão de partículas de pele e bactérias como o Staphylococcus aureus no campo operatório.O sistema opera movendo o ar em camadas paralelas a uma velocidade controlada entre 0,3 e 0,5 metros por segundo. Esse fluxo constante garante que o ar seja trocado de 15 a 60 vezes por hora, passando por filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air) que removem 99,97% das partículas de até 0,3 micrômetros. Essa tecnologia é essencial para reduzir as taxas de Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC), especialmente em cirurgias de alta sensibilidade.Estudos realizados pela Sociedade Brasileira de Controle de Contaminação (SBCC) e normas como a NBR 7256 regulamentam o uso desses sistemas em ambientes de saúde. Em cirurgias ortopédicas de grande porte, como a colocação de próteses de quadril, o uso do fluxo laminar pode reduzir drasticamente o risco de contaminação profunda. Sem essa barreira, o simples movimento da equipe médica poderia dispersar milhares de colônias de bactérias sobre o paciente em poucos minutos.
Fato verificado
FP-0008965 · Feb 20, 2026