O que acontece se uma ovelha nunca for tosquiada?
Diferente de seus ancestrais selvagens, as ovelhas domésticas não perdem a lã naturalmente e precisam da tosquia humana para sobreviver.
Milênios de seleção genética fizeram com que raças como a Merino perdessem o ciclo de muda natural. Sem a intervenção humana, a lã cresce sem parar, o que pode causar cegueira, superaquecimento e imobilidade. Um caso famoso foi o da ovelha Shrek, na Nova Zelândia, que ficou seis anos sem tosquia e acumulou 27 quilos de lã, volume suficiente para confeccionar 20 ternos masculinos.
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A domesticação das ovelhas começou há cerca de 10.000 anos na Mesopotâmia, mas a característica da lã de crescimento contínuo foi selecionada artificialmente ao longo de séculos. O ancestral selvagem das ovelhas, o Muflão, possui uma pelagem composta por pelos grossos e uma camada inferior de lã curta que cai naturalmente na primavera. Com a seleção feita por criadores, o gene responsável pela muda natural foi silenciado em raças modernas como a Merino. Isso transformou a lã em uma fibra de crescimento perene, composta principalmente por queratina, que não para de se alongar enquanto o animal estiver saudável e bem nutrido. O caso da ovelha Shrek, da raça Merino, tornou-se um marco científico em 2004, quando ela foi encontrada em uma caverna na Ilha do Sul, Nova Zelândia. Após seis anos sem tosquia, o animal carregava o equivalente a 440% do seu peso normal em fibras, o que demonstra a total dependência desses animais em relação ao manejo humano. A falta de tosquia anual cria sérios riscos biológicos, incluindo o estresse térmico e a proliferação de parasitas externos na pele do animal. Além disso, o acúmulo excessivo de lã pode levar à 'cegueira da lã', onde o peso do velo cobre os olhos, impedindo a ovelha de encontrar alimento ou fugir de predadores.
Fato verificado
FP-0004767 · Feb 19, 2026