Onde na Terra faz frio o suficiente para congelar o próprio ar?
Na Antártida, o frio é tão intenso que o gás carbônico pode se transformar diretamente em gelo seco no solo.
Em certas regiões do Planalto Antártico Oriental, as temperaturas caem abaixo de -90 °C. Como esse valor é inferior ao ponto de sublimação do dióxido de carbono (-78,5 °C), o gás na atmosfera pode se solidificar sem passar pelo estado líquido. Esse fenômeno cria condições extremas, comparáveis ao clima encontrado na superfície de Marte.
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Entre 2004 e 2016, pesquisadores analisaram dados dos satélites Terra e Aqua da NASA, além de instrumentos da NOAA, para mapear as temperaturas no Planalto Antártico Oriental. Eles identificaram que, em pequenas depressões próximas ao Domo Argus e ao Domo Fuji, a temperatura da neve pode chegar a impressionantes -98 °C durante o inverno polar. O ponto de sublimação do dióxido de carbono (CO2) sob pressão atmosférica padrão é de aproximadamente -78,5 °C. Quando o ar atinge marcas próximas a -94 °C, o CO2 presente na atmosfera começa a se depositar como cristais de gelo seco sobre a superfície gelada. Este processo é raro na Terra, mas extremamente comum em Marte, onde as calotas polares são compostas majoritariamente por esse material. A ocorrência desse fenômeno exige céus extremamente limpos e ar excepcionalmente seco por vários dias seguidos. Nessas condições, o calor da superfície escapa livremente para o espaço, permitindo que o ar denso e frio fique aprisionado em vales topográficos. Cientistas da Universidade do Colorado em Boulder confirmaram que essas são as temperaturas mais baixas registradas na superfície terrestre, tornando a região um laboratório natural para o estudo de condições planetárias extremas.
Fato verificado
FP-0007579 · Feb 20, 2026