Como os fiordes ajudam a combater o aquecimento global?
Os fiordes funcionam como 'cofres' naturais que enterram grandes quantidades de carbono em suas profundezas.
Apesar de ocuparem apenas 0,1% da superfície oceânica, os fiordes retêm 11% de todo o carbono marinho do planeta. Suas águas calmas e profundas possuem pouco oxigênio, o que impede a decomposição da matéria orgânica. Isso faz com que restos de plantas e animais fiquem presos nos sedimentos por milênios, evitando que o dióxido de carbono retorne à atmosfera e ajudando a regular o clima global.
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Um estudo fundamental publicado na revista Nature Geoscience em 2015 revelou que os fiordes são os sumidouros de carbono mais eficientes do mundo por unidade de área. Pesquisadores liderados por Richard Smith, da Universidade de Connecticut, estimaram que esses vales glaciais sequestram cerca de 18 milhões de toneladas de carbono orgânico todos os anos. Isso ocorre porque a estrutura geológica dos fiordes, com bacias profundas protegidas por soleiras rasas, limita a circulação de água e cria ambientes anóxicos.Nessas condições de baixo oxigênio, a atividade bacteriana que normalmente converteria o carbono em CO2 é drasticamente reduzida. O carbono orgânico proveniente de algas marinhas e de detritos terrestres levados por rios se deposita no leito e é rapidamente coberto por sedimentos glaciais. Esse soterramento rápido isola o material do contato com a água oxigenada da superfície, garantindo o armazenamento por longos períodos geológicos.A eficiência de sequestro dos fiordes é surpreendente, sendo cinco vezes maior do que a média das plataformas continentais e do oceano aberto. Embora cubram apenas cerca de 395.000 quilômetros quadrados, eles desempenham um papel desproporcional no ciclo global do carbono. A preservação desses ecossistemas na Noruega, Chile, Nova Zelândia e Groenlândia é vital, pois o aquecimento das águas e o recuo das geleiras podem desestabilizar esses depósitos milenares.
Fato verificado
FP-0008144 · Feb 20, 2026