Por que o uso do garfo já foi motivo de tanta polêmica?
Na era barroca, a Igreja condenou o uso do garfo por considerá-lo uma afronta a Deus.
Líderes religiosos argumentavam que Deus deu aos humanos 'garfos naturais' — os dedos — e que usar metal para tocar a comida era um insulto à criação divina. O utensílio, vindo da Itália, só se popularizou na Europa no século XVII, quando a nobreza percebeu que ele evitava sujar suas luxuosas golas de renda.
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A resistência ao garfo na Europa Ocidental remonta ao século XI, quando uma princesa bizantina casou-se com o Doge de Veneza e levou seus garfos de ouro para a Itália. São Pedro Damião, um cardeal influente, criticou severamente o hábito, alegando que a comida deveria ser tocada apenas pelos dedos criados por Deus. Essa visão teológica persistiu por séculos, associando o utensílio à vaidade excessiva e ao pecado da gula.A mudança de percepção ocorreu de forma gradual entre os séculos XVI e XVII, impulsionada por figuras como Catarina de Médici na França. A etiqueta barroca exigia o uso de golas de renda extremamente largas e engomadas, conhecidas como rufos. Comer com as mãos tornava quase impossível não sujar essas peças caras e complexas, o que forçou a aristocracia a adotar o garfo por uma necessidade prática de higiene e preservação do vestuário.Registros históricos mostram que, até meados de 1600, viajantes ingleses como Thomas Coryat eram ridicularizados por usar o instrumento, sendo chamados de 'furcifer' (portador de garfo). Somente no final do século XVII é que o garfo de quatro dentes, com a curvatura que conhecemos hoje, foi padronizado na corte de Luís XIV. O que começou como uma heresia religiosa transformou-se, em menos de cem anos, em um símbolo indispensável de civilidade e status social.
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FP-0008308 · Feb 20, 2026