Como os hospitais conseguem tornar as cirurgias menos assustadoras para as crianças?
Hospitais utilizam o 'brincar terapêutico' para que crianças realizem cirurgias em ursos de pelúcia e percam o medo de procedimentos reais.
O ambiente hospitalar pode ser assustador para crianças. Para reduzir o trauma, especialistas permitem que os pequenos simulem exames e cirurgias em brinquedos. Essa técnica transforma a criança de paciente passiva em participante ativa, dando a ela uma sensação de controle. Estudos mostram que essa abordagem reduz a ansiedade, diminui a necessidade de sedação e aumenta a cooperação durante o tratamento real.
Nerd Mode
O conceito de brincar terapêutico foi estruturado na década de 1960 por pesquisadores como Florence Erickson, que observou como o brinquedo ajuda crianças a processar experiências estressantes. No Brasil, a Lei nº 11.104 de 2005 tornou obrigatória a instalação de brinquedotecas em unidades de saúde que oferecem atendimento pediátrico em regime de internação. Essa prática fundamenta-se na psicologia do desenvolvimento, utilizando o lúdico para traduzir termos médicos complexos em conceitos compreensíveis para a idade infantil.Um estudo publicado no Journal of Pediatric Nursing em 2017 demonstrou que crianças preparadas com intervenções lúdicas apresentaram níveis significativamente menores de cortisol, o hormônio do estresse, antes de cirurgias. Instituições renomadas, como o Hospital Pequeno Príncipe e o Hospital de Amor, utilizam essas técnicas para humanizar o atendimento. Além de ursos de pelúcia, o uso de carrinhos elétricos para o transporte até o centro cirúrgico reduz o choro e a resistência em até 60% dos casos.A neurociência explica que, ao brincar de médico, a criança ativa áreas do córtex pré-frontal ligadas à resolução de problemas e ao controle emocional. Isso substitui a resposta de 'luta ou fuga' por uma resposta de curiosidade e aprendizado. O impacto é tão positivo que reduz o tempo de recuperação pós-operatória e melhora a adesão ao tratamento a longo prazo. O uso de 'certificados de bravura' após os procedimentos reforça positivamente a experiência, criando memórias de superação em vez de trauma.
Fato verificado
FP-0009051 · Feb 20, 2026