É possível uma ave voar por 11 dias inteiros sem parar?
Um fuselo bateu o recorde mundial ao voar 11 dias seguidos sem parar para comer, beber ou descansar.
A ave percorreu 12.000 km do Alasca à Nova Zelândia sem escalas. Para sobreviver, ela encolhe seus órgãos internos para abrir espaço para gordura e desliga metade do cérebro por vez para dormir em pleno voo.
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Em setembro de 2020, um fuselo (Limosa lapponica) macho, identificado pela etiqueta 4BBRW, completou uma jornada épica monitorada por satélite. A ave partiu do sudoeste do Alasca e chegou a uma baía perto de Auckland, na Nova Zelândia, após 11 dias de voo ininterrupto. O trajeto totalizou exatos 12.854 quilômetros, superando o recorde anterior de 2007 estabelecido por uma fêmea da mesma espécie.Para realizar essa façanha, o fuselo passa por uma metamorfose fisiológica impressionante. Antes da migração, ele consome grandes quantidades de alimento, dobrando seu peso corporal. Simultaneamente, seus órgãos digestivos, como o estômago e o fígado, encolhem significativamente para reduzir o peso e o gasto de energia, enquanto os músculos peitorais e o coração aumentam de tamanho para sustentar o esforço físico extremo.A sobrevivência no mar é um desafio crítico, pois o fuselo não possui membranas interdigitais nas patas e não consegue flutuar. Se pousasse na água, ele provavelmente morreria por hipotermia ou afogamento. Para descansar, a ave utiliza o sono uni-hemisférico, uma técnica onde metade do cérebro permanece alerta para navegação enquanto a outra metade dorme, alternando os lados conforme necessário.Pesquisadores da Global Flyway Network e da Universidade de Massey destacam que esse esforço equivale a um ser humano correr uma maratona a 60 km/h por mais de uma semana sem parar. A precisão da navegação é garantida por uma combinação de bússola magnética interna, posição do sol e das estrelas, além de uma sensibilidade aguçada a mudanças na pressão atmosférica.
Fato verificado
FP-0007468 · Feb 20, 2026