Como o sistema glinfático realiza a 'faxina' cerebral durante o sono profundo?
Durante o sono profundo, o cérebro ativa um sistema de limpeza que remove toxinas acumuladas durante o dia.
O sistema glinfático funciona como um 'lixeiro' cerebral que se torna altamente ativo durante o repouso. Enquanto você dorme, as células cerebrais se encolhem para permitir que o líquido cefalorraquidiano circule e lave resíduos perigosos, como proteínas ligadas ao Alzheimer. Sem esse processo, essas toxinas se acumulam e podem danificar a saúde mental a longo prazo.
Nerd Mode
O sistema glinfático foi identificado pela primeira vez em 2012 pela neurocientista dinamarquesa Maiken Nedergaard na Universidade de Rochester. Este sistema utiliza uma rede de canais formados por células gliais para bombear o líquido cefalorraquidiano através do tecido cerebral. Durante o sono profundo de ondas lentas, o espaço intersticial entre os neurônios aumenta em até 60%, facilitando a remoção de resíduos.Um dos principais alvos dessa limpeza é a proteína beta-amiloide, que é um subproduto do metabolismo neuronal. O acúmulo dessa proteína é um dos marcos biológicos da doença de Alzheimer e de outras demências. Estudos publicados na revista Science demonstram que a eficiência dessa limpeza é quase dez vezes maior durante o sono do que no estado de vigília.Pesquisas recentes da Universidade de Boston, publicadas em 2019, utilizaram ressonância magnética para observar ondas de líquido cefalorraquidiano pulsando no cérebro a cada 20 segundos durante o sono. Esse mecanismo é impulsionado por mudanças no fluxo sanguíneo e na atividade elétrica cerebral. A privação crônica de sono interrompe esse ciclo, o que pode explicar a correlação direta entre distúrbios do sono e o declínio cognitivo acelerado em idosos.
Fato verificado
FP-0008059 · Feb 20, 2026