Como os astrônomos usam o efeito Doppler para detectar planetas em torno de outras estrelas?
Astrônomos descobrem novos planetas detectando o sutil 'balanço' das estrelas causado pelo efeito Doppler.
Quando um planeta orbita uma estrela, sua gravidade faz a estrela oscilar levemente. Esse movimento altera a cor da luz estelar: ela fica mais azul quando a estrela se aproxima da Terra e mais vermelha quando se afasta. Usando telescópios de alta precisão, cientistas medem essas mudanças mínimas para confirmar a existência de mundos distantes.
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A técnica de detecção por velocidade radial utiliza o efeito Doppler para identificar exoplanetas. Quando um corpo celeste orbita uma estrela, ambos giram em torno de um centro de massa comum. Isso faz com que a estrela execute um pequeno movimento de vaivém em relação ao observador na Terra. Esse deslocamento provoca mudanças imperceptíveis a olho nu no espectro eletromagnético da luz emitida pela estrela.O marco histórico dessa metodologia ocorreu em 6 de outubro de 1995, quando os astrônomos Michel Mayor e Didier Queloz, da Universidade de Genebra, anunciaram a descoberta do 51 Pegasi b. Este foi o primeiro exoplaneta orbitando uma estrela da sequência principal semelhante ao nosso Sol. Pela descoberta, a dupla recebeu o Prêmio Nobel de Física em 2019. O planeta, um 'Júpiter quente', orbita sua estrela em apenas 4,2 dias terrestres, o que gera um sinal Doppler muito forte e claro.Para medir essas variações, são utilizados espectrógrafos de última geração, como o HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher), instalado no telescópio de 3,6 metros do ESO no Chile. O HARPS consegue detectar mudanças na velocidade estelar de apenas 3,5 quilômetros por hora, o que equivale à velocidade de uma pessoa caminhando calmamente. Atualmente, essa técnica é fundamental para determinar a massa mínima de exoplanetas e validar candidatos encontrados por outros métodos, como o de trânsito utilizado pelo telescópio Kepler.
Fato verificado
FP-0007970 · Feb 20, 2026