Viajar em altíssima velocidade pelo espaço é perigoso?
Em velocidades próximas à da luz, simples átomos de hidrogênio podem destruir uma nave espacial como se fossem balas de canhão.
O espaço não é um vácuo perfeito e contém cerca de um átomo de hidrogênio por centímetro cúbico. A 90% da velocidade da luz, uma nave colidiria com bilhões desses átomos por segundo. Cada impacto liberaria uma energia cinética tão alta que o casco seria corroído rapidamente por radiação e calor intensos.
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O meio interestelar (ISM) possui uma densidade média de 1 átomo de hidrogênio por centímetro cúbico. Embora pareça insignificante, a física da relatividade especial muda drasticamente o impacto dessas partículas em velocidades ultra-relativísticas. Um estudo publicado pelo pesquisador William Edelstein da Universidade Johns Hopkins em 2010 demonstrou os perigos dessa jornada.Para uma nave viajando a 99% da velocidade da luz, o hidrogênio espacial se transforma em um feixe de radiação ionizante mortal. A energia de cada próton atingiria cerca de 7 gigaeletronvolts (GeV). Isso equivale a transformar o espaço em um acelerador de partículas gigante direcionado contra a tripulação e a estrutura da nave.O impacto constante desses átomos causaria uma erosão física severa no casco e danos genéticos fatais aos astronautas. A energia depositada seria de aproximadamente 10.000 sieverts por segundo, enquanto apenas 6 sieverts já são fatais para um ser humano. Para sobreviver, seriam necessários escudos de chumbo com metros de espessura ou campos magnéticos extremamente potentes.Além da radiação, o calor gerado pela fricção com o gás interestelar derreteria a maioria dos materiais conhecidos. Esse fenômeno é um dos maiores obstáculos práticos para projetos como o Breakthrough Starshot, que visa enviar sondas a Alpha Centauri. Sem uma solução para o 'bombardeio de hidrogênio', viagens interestelares rápidas permanecem impossíveis com a tecnologia atual.
Fato verificado
FP-0008701 · Feb 20, 2026