Como conseguimos ver o interior das múmias sem danificá-las?

Como conseguimos ver o interior das múmias sem danificá-las?

Tomografias computadorizadas permitem investigar múmias de 3.000 anos sem remover uma única faixa de linho.

Abrir uma múmia é arriscado porque o contato com o ar pode desintegrar os restos mortais. Usando a tecnologia de tomografia (TC), arqueólogos conseguem ver ossos, órgãos e até joias escondidas sob as camadas de proteção. Em 2005, esse método revelou que o faraó Tutancâmon morreu aos 19 anos, possivelmente por uma infecção na perna.
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A aplicação da Tomografia Computadorizada (TC) na arqueologia, conhecida como bioarqueologia digital, revolucionou o estudo do Egito Antigo ao eliminar a necessidade de 'desembrulhar' fisicamente os corpos. Esse processo destrutivo era comum no século XIX, mas causava danos irreversíveis aos tecidos orgânicos e artefatos. A TC utiliza raios-X para criar seções transversais detalhadas, que são processadas por softwares para gerar modelos 3D de alta resolução.Um dos marcos dessa tecnologia ocorreu em 2005, quando o Dr. Zahi Hawass liderou uma equipe para escanear a múmia de Tutancâmon. O exame gerou mais de 1.700 imagens digitais, revelando que o faraó não foi assassinado com um golpe na cabeça, como se acreditava, mas possuía uma fratura exposta no fêmur esquerdo. Pesquisas subsequentes publicadas no Journal of the American Medical Association (JAMA) em 2010 confirmaram a presença de DNA do parasita Plasmodium falciparum, indicando que a malária agravou seu estado de saúde.Além de diagnósticos médicos, a tecnologia permite identificar amuletos de ouro e pedras preciosas posicionados estrategicamente entre as bandagens, sem violar o contexto ritualístico do sepultamento. Instituições como o Museu Britânico utilizam scanners de dupla energia para diferenciar materiais densos, como resinas e metais, de tecidos moles preservados. Essa abordagem não apenas protege o patrimônio histórico, mas permite que cientistas realizem reconstruções faciais precisas utilizando dados antropométricos reais obtidos dos crânios escaneados.
Fato verificado FP-0008151 · Feb 20, 2026

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