Por que não usamos ligamentos de fibra de carbono?
A medicina já utilizou ligamentos de fibra de carbono em cirurgias, mas o corpo humano costumava rejeitá-los.
Nos anos 1980, materiais como fibra de carbono e Gore-Tex foram usados para reconstruir ligamentos do joelho. Apesar de resistentes, eles não se regeneravam e sofriam desgaste com o tempo. As fibras se quebravam em micropartículas que causavam inflamações graves, levando o sistema imunológico a atacar o material. Hoje, os médicos preferem enxertos biológicos que o corpo consegue integrar e curar naturalmente.
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A utilização de próteses sintéticas para a reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) atingiu seu auge entre 1980 e 1990. Materiais como o polietileno tereftalato (Dacron), o politetrafluoretileno expandido (Gore-Tex) e a fibra de carbono foram amplamente testados devido à sua alta resistência à tração inicial. No entanto, estudos de longo prazo revelaram taxas de falha alarmantes, chegando a 40% em alguns acompanhamentos clínicos de cinco anos.Diferente do tecido biológico, esses materiais sofrem de fadiga mecânica e não possuem capacidade de autorreparo. O movimento constante da articulação do joelho causava a fragmentação das fibras sintéticas. Essas micropartículas geravam uma resposta inflamatória conhecida como sinovite por corpo estranho, resultando em erosão óssea e efusões articulares crônicas que exigiam a remoção do implante.Instituições como a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) observaram que a integração biológica é fundamental para o sucesso da cirurgia. Atualmente, o padrão-ouro é o autoenxerto, utilizando o tendão patelar ou os isquiotibiais do próprio paciente. Esse método permite que as células do corpo migrem para o enxerto, transformando-o em um novo ligamento funcional por meio de um processo chamado ligamentização.
Fato verificado
FP-0008215 · Feb 20, 2026