Como os elefantes-marinhos dormem no meio do oceano sem serem devorados?
Durante migrações de 19.000 km, o elefante-marinho-do-norte dorme apenas duas horas por dia enquanto mergulha a 760 metros de profundidade.
Para evitar predadores como tubarões e orcas, esses animais não dormem na superfície. Eles mergulham fundo, param de nadar e descem em espiral como folhas caindo de uma árvore. Durante essa descida, entram em um sono REM de 10 minutos, garantindo descanso seguro na escuridão do oceano.
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Um estudo publicado na revista Science em 2023, liderado pela Dra. Jessica Kendall-Bar da Instituição de Oceanografia Scripps, revelou esse comportamento inédito. Os pesquisadores utilizaram sensores de eletroencefalograma (EEG) para monitorar a atividade cerebral de elefantes-marinhos-do-norte (Mirounga angustirostris) em ambiente selvagem. Os dados mostraram que, durante suas jornadas de sete meses pelo Oceano Pacífico, esses mamíferos dormem menos de duas horas diárias.O 'mergulho de sono' ocorre em profundidades onde os predadores são escassos. Quando entram no estágio de sono REM, os animais perdem o controle postural e flutuam de cabeça para baixo, descendo em trajetórias circulares lentas. Esse mecanismo de defesa é vital, pois na superfície eles estariam vulneráveis a ataques de grandes tubarões-brancos e baleias assassinas.Essa necessidade mínima de sono coloca o elefante-marinho-do-norte em um patamar comparável apenas ao dos elefantes africanos, que detêm o recorde de menor tempo de sono entre os mamíferos terrestres. A pesquisa utilizou dispositivos de rastreamento de alta precisão e modelos de movimento em 3D para confirmar que os animais permanecem em estado de sono profundo enquanto afundam. Essa adaptação extrema demonstra como a pressão da predação pode moldar a evolução dos ciclos biológicos básicos.
Fato verificado
FP-0007475 · Feb 20, 2026