Como os camaleões realmente conseguem mudar de cor?
Camaleões usam nanocristais na pele como espelhos para mudar de cor.
Diferente do que se pensava, a mudança de cor não ocorre apenas por pigmentos, mas pela manipulação física da luz. Os camaleões possuem células chamadas iridóforos que contêm nanocristais de sal. Ao contrair ou relaxar a pele, eles alteram a distância entre esses cristais, mudando a cor refletida. Quando os cristais estão próximos, refletem azul. Quando se afastam, refletem amarelo ou vermelho.
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A descoberta de que os camaleões utilizam cristais fotônicos foi publicada em 2015 por pesquisadores da Universidade de Genebra, liderados pelo biólogo Michel Milinkovitch. O estudo revelou que o camaleão-pantera (Furcifer pardalis) possui duas camadas sobrepostas de células iridóforas. A camada superficial é responsável pela mudança rápida de cor para exibição social e camuflagem, enquanto a camada profunda reflete a luz infravermelha para regular a temperatura corporal.Os nanocristais são feitos de guanina e estão organizados em uma rede cristalina dentro dos iridóforos. Quando o camaleão fica excitado, sua pele relaxa e a distância entre os cristais aumenta em cerca de 30%. Esse ajuste altera a interferência da luz, fazendo com que o comprimento de onda refletido mude do azul para o verde e depois para o amarelo ou vermelho. É um exemplo perfeito de coloração estrutural, a mesma física que dá cor às asas das borboletas.Essa tecnologia biológica é extremamente precisa e eficiente, operando em uma escala nanométrica que desafia a engenharia humana. Cientistas de materiais em instituições como o MIT estudam esses mecanismos para criar 'e-skin' ou peles eletrônicas que mudam de cor sem o uso de corantes químicos. Além disso, a capacidade de refletir o calor através da camada profunda de cristais oferece insights valiosos para o desenvolvimento de novos isolantes térmicos e tecidos inteligentes que podem resfriar edifícios ou roupas automaticamente.
Fato verificado
FP-0007614 · Feb 20, 2026