Como os cientistas descobrem o que as pessoas comiam na Antiguidade?
Cabelos antigos funcionam como arquivos biológicos que revelam a dieta e envenenamentos de múmias milenares.
O cabelo é feito de queratina e preserva assinaturas químicas por milhares de anos. Enquanto cresce, o fio absorve minerais e metais da alimentação e do ambiente, criando um registro cronológico da vida. Análises em múmias de 3.000 anos já identificaram cardápios baseados em milho e até envenenamentos por chumbo em marinheiros do século XIX.
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O cabelo humano cresce a uma taxa média de 1 centímetro por mês e é composto por queratina, uma proteína fibrosa extremamente estável. Durante o processo de queratinização, substâncias presentes na corrente sanguínea são aprisionadas na matriz do fio. Isso permite que arqueólogos realizem análises de isótopos estáveis de carbono e nitrogênio para determinar a origem das proteínas consumidas.Um estudo famoso publicado na revista 'Archaeometry' analisou múmias da cultura Paracas, no Peru, datadas de 800 a.C. Os pesquisadores descobriram mudanças sazonais na dieta, alternando entre plantas terrestres e recursos marinhos. Além da alimentação, o cabelo retém metais pesados como arsênio, mercúrio e chumbo, que não se decompõem com o tempo.Em 1984, análises nos restos mortais da expedição de John Franklin de 1845 revelaram níveis altíssimos de chumbo nos cabelos dos marinheiros. A fonte foi identificada como a solda das latas de conserva, o que explicou o declínio físico e mental da tripulação. Esse método de bioarqueologia é hoje fundamental para entender a saúde pública e as rotas comerciais de civilizações desaparecidas há milênios.
Fato verificado
FP-0008293 · Feb 20, 2026