Por que os médicos da era Barroca drenavam o sangue dos pacientes?
Durante o período Barroco, médicos acreditavam que a sangria podia curar quase tudo, desde febres intensas até desilusões amorosas.
Baseada na teoria dos Quatro Humores, a medicina da época buscava equilibrar os fluidos corporais. Acreditava-se que o excesso de sangue causava inflamações, levando médicos a usarem lâminas ou sanguessugas para remover grandes quantidades do líquido. Essa prática frequentemente piorava o estado dos pacientes. O rei Carlos II da Inglaterra e George Washington foram figuras históricas que sofreram sangrias massivas pouco antes de morrerem.
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A prática da sangria fundamentava-se na teoria humoral de Hipócrates e Galeno, que dominou o pensamento médico por quase dois milênios. Segundo esse conceito, a saúde dependia do equilíbrio entre quatro fluidos: sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. Qualquer excesso, chamado de pletora, deveria ser removido mecanicamente para restaurar a harmonia do organismo.No século XVII e XVIII, instrumentos como a lanceta e o escarificador eram amplamente utilizados em procedimentos que retiravam litros de sangue. Em 1799, George Washington foi submetido à retirada de aproximadamente 2,3 litros de sangue em apenas dez horas para tratar uma epiglotite aguda. Esse volume representava cerca de 40% de seu sangue total, o que causou um choque hipovolêmico fatal.Outro caso notável ocorreu em 1685 com o rei Carlos II da Inglaterra, que após sofrer uma convulsão, teve cerca de 700 ml de sangue extraídos por seus médicos reais. Além da sangria, ele foi submetido a tratamentos agressivos com ventosas e substâncias eméticas, o que provavelmente acelerou seu óbito. A prática só começou a ser questionada seriamente no século XIX, após estudos estatísticos de médicos como Pierre Louis demonstrarem que o método não reduzia a mortalidade em casos de pneumonia.
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FP-0008336 · Feb 20, 2026