Como as tragédias gregas conseguiam despertar emoções tão intensas nos espectadores?
As tragédias gregas foram criadas para provocar uma purificação emocional profunda chamada catarse.
No teatro da Grécia Antiga, as peças de autores como Sófocles e Eurípides levavam o público a sentir piedade e medo intensos. Esse processo permitia que os espectadores liberassem emoções reprimidas ao verem a queda de heróis virtuosos. Essa experiência funcionava como um treinamento emocional, ajudando as pessoas a processarem sentimentos complexos em um ambiente seguro e controlado.
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O conceito de catarse foi formalizado por Aristóteles em sua obra 'Poética', escrita por volta de 335 a.C. Ele descreveu o fenômeno como a purgação de emoções através da piedade e do medo, fundamentais para a estrutura da tragédia grega. Peças como 'Édipo Rei', encenada pela primeira vez por volta de 429 a.C., serviam como laboratórios sociais onde a audiência confrontava dilemas morais e o destino inevitável.Estudos modernos de neurociência, como os realizados pela Universidade de Oxford, sugerem que o consumo de dramas ficcionais aumenta a produção de endorfinas no cérebro. Esse sistema de recompensa química ajuda a fortalecer os laços sociais e aumenta a tolerância à dor física e emocional. O cérebro humano processa a narrativa trágica ativando os neurônios espelho, o que permite uma empatia profunda com o sofrimento do personagem sem o risco real da situação.A função social do teatro em Atenas era tão vital que o governo pagava o 'Theorikon', um subsídio para que cidadãos pobres pudessem assistir às peças. Isso demonstra que a catarse não era apenas um entretenimento, mas uma ferramenta de saúde mental coletiva e coesão política. Ao vivenciar a ruína de figuras poderosas, o público praticava a humildade e a resiliência, saindo do teatro com uma clareza mental renovada para enfrentar os desafios da vida cotidiana.
Fato verificado
FP-0007959 · Feb 20, 2026