Um reator nuclear pode se formar sozinho na natureza?
Há 1,7 bilhão de anos, um reator nuclear natural funcionou espontaneamente no Gabão, na África.
Em 1972, cientistas descobriram que depósitos de urânio na mina de Oklo atingiram a fissão nuclear de forma autossustentável. Com água subterrânea atuando como moderadora, o reator operou por centenas de milhares de anos. O local é o único exemplo conhecido no mundo onde a natureza criou as condições perfeitas para uma reação em cadeia controlada.
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A descoberta ocorreu quando o analista Francis Perrin notou que o urânio de Oklo continha apenas 0,717% de urânio-235, em vez dos habituais 0,720%. Essa pequena diferença indicava que parte do isótopo havia sido 'queimada' em uma reação nuclear. Na época da formação do depósito, há 1,7 bilhão de anos, a concentração de U-235 era de cerca de 3%, similar ao combustível usado em usinas modernas.Para que a fissão ocorresse, a água subterrânea infiltrou-se no minério de urânio, agindo como um moderador de nêutrons. Esse processo desacelerava os nêutrons para que eles pudessem atingir outros núcleos de urânio, mantendo a reação. Quando o calor da reação evaporava a água, a fissão parava temporariamente, criando um ciclo de controle natural que evitava uma explosão.Estudos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmaram que o reator gerou uma potência média de 100 quilowatts. Estima-se que o sistema tenha operado por até 500.000 anos antes de se extinguir. O local tornou-se um campo de estudo essencial para o armazenamento de resíduos nucleares, pois os subprodutos tóxicos permaneceram confinados na rocha por bilhões de anos sem vazar para o ambiente.
Fato verificado
FP-0008504 · Feb 20, 2026