Como os insetos conseguem caminhar sobre a superfície da água?
Os insetos conhecidos como 'alfaiates' caminham sobre a água usando milhares de pelos microscópicos que criam um colchão de ar sob suas patas.
Esses insetos utilizam a tensão superficial da água e patas cobertas por pelos hidrofóbicos que repelem o líquido. Essa combinação cria uma camada de ar que impede o animal de afundar, permitindo que ele deslize rapidamente por lagos e riachos sem se molhar.
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Os insetos da família Gerridae, popularmente chamados de alfaiates ou jesus-bugs, possuem uma anatomia altamente especializada para a locomoção aquática. Cada uma de suas seis patas é coberta por milhares de microsetas, que são pelos minúsculos com ranhuras em escala nanométrica. Essas estruturas retêm bolhas de ar, criando uma camada protetora conhecida como plastrão, que torna as patas super-hidrofóbicas e impede que o inseto rompa a superfície da água.Um estudo publicado na revista Nature em 2004, liderado pelo pesquisador Xuefeng Gao da Academia Chinesa de Ciências, revelou que essa hidrofobicidade é tão eficiente que a força necessária para submergir a pata de um alfaiate é 15 vezes o peso do corpo do próprio inseto. Além disso, a tensão superficial da água atua como uma cama elástica, onde as patas criam pequenas curvaturas sem perfurar a película líquida. Isso permite que o inseto se desloque a velocidades de até 1,5 metros por segundo.A física por trás desse movimento envolve a transferência de momento através de vórtices criados na água, permitindo que o inseto 'remue' sem afundar. Mesmo sob chuva forte, as propriedades repelentes dos pelos garantem que o animal não fique encharcado, o que seria fatal. Essa adaptação biológica é tão eficaz que serve de inspiração para o desenvolvimento de materiais navais e robôs minúsculos que podem monitorar a qualidade da água em reservatórios.
Fato verificado
FP-0007883 · Feb 20, 2026