Como os tipos sanguíneos moldam a sociedade japonesa?
No Japão, o tipo sanguíneo é considerado um indicador de personalidade tão importante quanto os signos do zodíaco.
Conhecida como Ketsueki-gata, essa crença dita que o sangue define o temperamento e a compatibilidade amorosa. O tipo A é visto como perfeccionista, o B como criativo e o O como confiante. Essa cultura é tão forte que influencia desde processos de contratação até perfis em aplicativos de relacionamento.
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A obsessão japonesa pelos tipos sanguíneos ganhou força em 1927, quando o professor Takeji Furukawa publicou um artigo sugerindo que o temperamento humano estava ligado ao grupo sanguíneo. Embora a ideia tenha perdido força inicialmente, ela foi resgatada na década de 1970 pelo jornalista Masahiko Nomi. O livro de Nomi tornou-se um best-seller, transformando um conceito pseudocientífico em um fenômeno cultural de massa que persiste até hoje no Japão e na Coreia do Sul.De acordo com essa teoria, indivíduos do tipo A são considerados 'kichinto' (meticulosos e organizados), enquanto os do tipo B são vistos como 'jiyujin' (espíritos livres), mas frequentemente estigmatizados como egoístas. O tipo O é associado à liderança e otimismo, e o tipo AB é visto como uma mistura complexa e excêntrica. Essa classificação é tão onipresente que empresas japonesas já foram questionadas por praticar o 'bura-hara', uma forma de assédio ou discriminação baseada no tipo sanguíneo durante entrevistas de emprego.Apesar da popularidade, a comunidade científica internacional e a Sociedade Japonesa de Psicologia Social não reconhecem qualquer ligação biológica entre o sistema ABO e a personalidade. Estudos realizados com milhares de participantes não encontraram correlações estatísticas significativas que comprovem essas características. Mesmo assim, a indústria de consumo aproveita o nicho vendendo produtos específicos para cada tipo, como bebidas, preservativos e até horóscopos diários na televisão nacional.
Fato verificado
FP-0008245 · Feb 20, 2026